sábado, 29 de março de 2014
quinta-feira, 27 de março de 2014
sábado, 22 de março de 2014
quinta-feira, 20 de março de 2014
Peço-Te
Chamo-Te porque tudo está ainda no
princípio
E suportar é o tempo mais comprido.
Peço-Te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só de Teus olhares me purifique e
acabe.
Há muitas coisas que não quero ver.
Peço-Te que sejas o presente.
Peço-Te que inundes tudo.
E que o Teu reino antes do tempo venha
E se derrame sobre a Terra
Em Primavera feroz precipitado.
Sophia de Mello Breyner
Andresen
terça-feira, 18 de março de 2014
segunda-feira, 17 de março de 2014
Devagar...
Não: devagar.
Devagar, porque não sei
Onde quero ir.
Há entre mim e os meus passos
Uma divergência instintiva.
Há entre quem sou e estou
Uma diferença de verbo
Que corresponde à realidade.
Devagar…
Sim, devagar…
Quero pensar no que quer dizer
Este devagar…
Talvez o mundo exterior tenha pressa demais.
Talvez a alma vulgar queira chegar mais cedo.
Talvez a impressão dos momentos seja muito próxima…
Talvez isso tudo…
Mas o que me preocupa é essa palavra devagar…
O que é que tem de ser devagar?
Se calhar é o universo…
A verdade manda Deus que se diga.
Mas ouviu alguém isso a Deus?
Devagar, porque não sei
Onde quero ir.
Há entre mim e os meus passos
Uma divergência instintiva.
Há entre quem sou e estou
Uma diferença de verbo
Que corresponde à realidade.
Devagar…
Sim, devagar…
Quero pensar no que quer dizer
Este devagar…
Talvez o mundo exterior tenha pressa demais.
Talvez a alma vulgar queira chegar mais cedo.
Talvez a impressão dos momentos seja muito próxima…
Talvez isso tudo…
Mas o que me preocupa é essa palavra devagar…
O que é que tem de ser devagar?
Se calhar é o universo…
A verdade manda Deus que se diga.
Mas ouviu alguém isso a Deus?
Álvaro de Campos
sábado, 15 de março de 2014
sexta-feira, 14 de março de 2014
quarta-feira, 12 de março de 2014
Conta as estrelas do céu
"...Conta as estrelas do céu,
soma tudo o que Eu já fiz por ti.
soma tudo o que Eu já fiz por ti.
Antes do mar, antes que houvesse luar,
Antes do tempo eu já esperava por ti.
Ai se soubesses do amor, uma só noite, uma paixão,
Tu correrias pr’a mim e dançarias com a cruz
Coisas da vida ao som da Minha canção.
Vês-me quando caminho, vês-me quando descanso,
Segues atento cada passo que eu der.
Vês-me quando tropeço e nem aí me queres condenar..."
Conta as estrelas do céu, Pe. Nuno
Tovar de Lemos)
segunda-feira, 10 de março de 2014
Decálogo da serenidade do Papa João XXIII
1- Procurarei viver,
pensando apenas no dia de hoje, exclusivamente neste dia, sem querer resolver
todos os problemas da minha vida e de uma só vez.
2- Hoje, apenas hoje, procurarei ter o máximo cuidado na minha
convivência; cortês nas minhas maneiras, a ninguém criticarei, nem pretenderei
melhorar ou corrigir à força ninguém, senão a mim mesmo.
3- Hoje, apenas hoje, serei feliz. Na certeza de que fui criado para a
felicidade, não só no outro mundo, mas também já neste.
4- Hoje, apenas hoje, adaptar-me-ei às circunstâncias, sem pretender que
sejam todas as circunstâncias a adaptarem-se aos meus desejos.
5- Hoje, apenas hoje, dedicarei 10 minutos do meu tempo a uma boa
leitura, recordando que assim como o alimento é necessário para a vida do
corpo, a boa leitura é necessária para a vida da alma.
6- Hoje, apenas hoje, farei uma boa ação, e não direi a ninguém.
7- Hoje, apenas hoje, farei ao menos uma coisa que me custe fazer, e se
me sentir ofendido nos meus sentimentos, procurarei que ninguém o saiba.
8- Hoje, apenas hoje, executarei um programa pormenorizado, talvez não o
cumpra perfeitamente, mas ao menos escrevê-lo-ei, e fugirei de dois males: a
pressa e a indecisão.
9- Hoje, apenas hoje, acreditarei firmemente, embora as circunstâncias
mostrem ao contrário, que a Providência de Deus se ocupa de mim, como se não
existisse mais ninguém no mundo.
10- Hoje, apenas hoje, não terei nenhum temor, de modo especial não terei medo
de gozar o que é belo, e de crer na bondade.
Papa João XXIII
sábado, 8 de março de 2014
Tempo propício
Bendito
sejas, Pai, por este tempo tão oportuno, para a conversão e o encontro, que Tu concedes gratuitamente a todos os teus filhos que andamos desorientados pelos caminhos da
vida.
Bendito sejas, Pai, porque chamas a cada homem e mulher, seja qual seja for a sua história ou a sua vida, a empreender cada dia, de maneira mais pessoal e consciente, o seu compromisso de seguir Jesus, teu Filho e nosso Irmão.
Bendito sejas, Pai, por nos despertares dos nossos doces sonhos, tão vaporosos e infecundos, por nos interpelares no radical da vida, por nos libertares das nossas falsas seguranças, por pores a descoberto os nossos ídolos secretos que tanto defendemos e tentamos justificar.
Bendito sejas, Pai, porque nos dás o teu Espírito, único que pode converter-nos, o único que pode dar-nos um coração de filhos, único que pode atravessar os nossos pensamentos, único que pode guiar-nos pela senda do Evangelho, único que torna possível o nosso regresso ao teu seio.
Bendito sejas, Pai, por este tempo tão propício!
Florentino Ulibarri
Bendito sejas, Pai, porque chamas a cada homem e mulher, seja qual seja for a sua história ou a sua vida, a empreender cada dia, de maneira mais pessoal e consciente, o seu compromisso de seguir Jesus, teu Filho e nosso Irmão.
Bendito sejas, Pai, por nos despertares dos nossos doces sonhos, tão vaporosos e infecundos, por nos interpelares no radical da vida, por nos libertares das nossas falsas seguranças, por pores a descoberto os nossos ídolos secretos que tanto defendemos e tentamos justificar.
Bendito sejas, Pai, porque nos dás o teu Espírito, único que pode converter-nos, o único que pode dar-nos um coração de filhos, único que pode atravessar os nossos pensamentos, único que pode guiar-nos pela senda do Evangelho, único que torna possível o nosso regresso ao teu seio.
Bendito sejas, Pai, por este tempo tão propício!
Florentino Ulibarri
sexta-feira, 7 de março de 2014
Pó e só pó
"Lembra-te, ó homem, que és pó, e pó te hás-de tornar!
Quem faz questão de nos lembrar isto continuamente não é a Igreja na sua Liturgia das Cinzas. Quem faz questão de o mostrar de tantas maneiras são as potências e os potentes do mundo que, por sua vontade, reduziriam tudo a pó para construírem os pedestais dos seus próprios bustos glorificados. Passamos os olhos por quatro dos cinco continentes e vemos, neste preciso momento, o pó no ar, levantado, revolvido, nas praças de tantas lutas e nas valas comuns de algumas chagas abertas da Humanidade. Entre gente que avança e gente que foge, a verdade é que há horas em que aparecemos diante do nosso próprio olhar como coisa bem estranha! Se Jesus criticava os que queriam construir a vida sobre a areia, hoje certamente criticaria aqueles que querem construir sobre as cinzas de tudo o que estão dispostos a destruir no caminho.
Lembra-te, ó homem, que és pó, e pó te hás-de tornar!
A ciência também já aprendeu, maravilhada, este refrão! Somos poeira estelar, pó do Universo, e voltaremos a integrar dessa maneira o cosmos que formamos. Isso é maravilhoso. Não é o pó levantado pelos nossos pés em luta, mas o pó estelar que tem milhões de anos de histórias para contar. E nós, maravilhosamente, parte disto. Parte de uma partitura criacional imensa, grandiosa... Com uma estrutura nuclear e molecular da qual não somos donos mas devedores. Somos, biologicamente, uma dívida! Vivemos, em tudo, de Graça. No mais matricial da nossa existência, não temos a hipótese de ser donos nem individuais: somos graciosos e interligados a tudo. Acredito que o caminho da conversão da nossa vida também passa muito por aqui, pela descoberta da existência como Pertença e Graça". Rui Santiago
Quem faz questão de nos lembrar isto continuamente não é a Igreja na sua Liturgia das Cinzas. Quem faz questão de o mostrar de tantas maneiras são as potências e os potentes do mundo que, por sua vontade, reduziriam tudo a pó para construírem os pedestais dos seus próprios bustos glorificados. Passamos os olhos por quatro dos cinco continentes e vemos, neste preciso momento, o pó no ar, levantado, revolvido, nas praças de tantas lutas e nas valas comuns de algumas chagas abertas da Humanidade. Entre gente que avança e gente que foge, a verdade é que há horas em que aparecemos diante do nosso próprio olhar como coisa bem estranha! Se Jesus criticava os que queriam construir a vida sobre a areia, hoje certamente criticaria aqueles que querem construir sobre as cinzas de tudo o que estão dispostos a destruir no caminho.
Lembra-te, ó homem, que és pó, e pó te hás-de tornar!
A ciência também já aprendeu, maravilhada, este refrão! Somos poeira estelar, pó do Universo, e voltaremos a integrar dessa maneira o cosmos que formamos. Isso é maravilhoso. Não é o pó levantado pelos nossos pés em luta, mas o pó estelar que tem milhões de anos de histórias para contar. E nós, maravilhosamente, parte disto. Parte de uma partitura criacional imensa, grandiosa... Com uma estrutura nuclear e molecular da qual não somos donos mas devedores. Somos, biologicamente, uma dívida! Vivemos, em tudo, de Graça. No mais matricial da nossa existência, não temos a hipótese de ser donos nem individuais: somos graciosos e interligados a tudo. Acredito que o caminho da conversão da nossa vida também passa muito por aqui, pela descoberta da existência como Pertença e Graça". Rui Santiago
quarta-feira, 5 de março de 2014
Mensagem do Papa Francisco - Quaresma
Papa: "Fez-Se pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza"
Hoje, dia 5 de março a Igreja inicia o tempo quaresmal. Carrega aqui, e vê a mensagem do Papa Francisco para a vivência deste tempo subordinada ao tema "Fez -se pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza"( 2Cor 8,9)
Quaresma 2014
“Meu Pai, Eu me abandono a Ti!
Faz de mim o que quiseres.
O que fizeres de mim,
Eu Te agradeço.
Estou pronto para tudo, aceito tudo.
Desde que a Tua vontade se faça em mim
e em tudo o que Tu criastes!
Nada mais quero, meu Deus.
Nas Tuas mãos entrego a minha vida.
Eu Te a dou, meu Deus,
com todo o amor do meu coração,
porque Te amo
E é para mim uma necessidade de amor dar-me,
Entregar-me nas Tuas mãos sem medida
com uma confiança infinita
Porque Tu és... Meu Pai!
(Charles
de Foucauld)
sábado, 1 de março de 2014
Domingo VIII do Tempo Comum
Quais são as nossas prioridades na vida? O tempo é breve...
É preciso que dirijamos o nosso olhar
para o que é verdadeiramente importante e que libertemos o nosso coração
daquilo que é secundário. O cristão não vive obcecado com os bens mais
primários, pois tem absoluta confiança nesse Deus que cuida dos seus filhos com
a solicitude de um pai e o amor gratuito e incondicional de uma mãe.
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Escuto mas não sei...
Escuto mas não sei
Se o que oiço é silêncio
Ou Deus
Escuto sem saber se estou ouvindo
O ressoar das planícies do vazio
Ou a consciência atenta
Que nos confins do universo
Me decifra e fita
Apenas sei que caminho como quem
É olhado amado e conhecido
E por isso em cada gesto ponho
Solenidade e risco
Sophia de Mello Breyner Andresen,
em Obra poética I, Circulo de leitores
Se o que oiço é silêncio
Ou Deus
Escuto sem saber se estou ouvindo
O ressoar das planícies do vazio
Ou a consciência atenta
Que nos confins do universo
Me decifra e fita
Apenas sei que caminho como quem
É olhado amado e conhecido
E por isso em cada gesto ponho
Solenidade e risco
Sophia de Mello Breyner Andresen,
em Obra poética I, Circulo de leitores
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
sábado, 22 de fevereiro de 2014
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
Degelo no Ártico
Os cientistas norte-americanos ficaram chocados com um vídeo que
mostra como o gelo que até há apenas 26 anos dominava o Ártico praticamente já
desapareceu. O vídeo, de um minuto, foi apresentado há dois dias em Chicago pela
NOAA (National Oceanic Atmospheric Admnistration).
O vídeo, com a duração de apenas um minuto, e que será publicado na próxima
edição da revista 'Science'", ilustra de forma dramática o que sucedeu ao gelo
do Ártico no último quarto de século. A "mensagem" deixa poucas dúvidas: à
medida que os anos avançam a superfície total da zona gelada do Ártico vai-se
tornando cada vez mais pequena. Se há um quarto de século as áreas cobertas por
gelo ocupavam 26% do total, agora estão reduzidas a apenas 7%.
Fonte: DN Ciência
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
A GRAÇA DE SER DE NOVO
"O que te peço Senhor, é a graça de ser. Não te
peço sapatos, peço-te caminhos. O gosto dos caminhos recomeçados, com as suas
surpresas e suas mudanças. Não te peço coisas para segurar, mas que as minhas
mãos vazias se entusiasmem na construção da vida. Não te peço que pares o tempo
na minha imagem predileta, mas ensines meus olhos a encarar cada tempo como uma
nova oportunidade. Afasta de mim as palavras que servem apenas para evocar
cansaços, desânimos, distâncias. Que eu não pense saber já tudo acerca de mim e
dos outros. Mesmo quando não tenho sei que posso ser, ser simplesmente. É isso
que te peço, Senhor: a graça de ser de novo."
in José Tolentino de Mendonça, "Um Deus que dança"
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
sábado, 15 de fevereiro de 2014
Tudo o que tenho, e nada tenho, é teu
"Descalço venho dos confins da infância
Que a minha infância ainda não morreu.
Atrás de mim em face ainda há distância
Menino Deus, Jesus da minha infância,
Tudo o que tenho, e nada tenho, é teu
Venho da estranha noite dos poetas,
Noite em que o mundo nunca me entendeu
Vê trago as mãos vazias dos poetas.
Menino Deus, amigo dos poetas,
Tudo o que tenho, e nada tenho, é teu
Feriu-me um dardo, ensanguentei as ruas
Onde o demónio em vão me apareceu.
Porque as estrelas todas eram suas
Menino irmão dos que erram pelas ruas
Tudo o que tenho, e nada tenho, é teu
Ó meu irmão Jesus, triste como eu
Ó meu irmão, menino de olhos tristes,
Nada mais tenho além dos olhos tristes
Tudo o que tenho, e nada tenho, é teu!"
Pedro Homem de Mello
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
sábado, 8 de fevereiro de 2014
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
Só no interior
Nada tão silencioso como o tempo
no interior do corpo. Porque ele passa
com um rumor de pedras que nos cobrem,
e pelo sonoro desalinho de algumas árvores
que são os nossos cabelos imaginários.
Até nas íris dos olhos o tempo
faz estalar faíscas de luz breve.
Só no interior sem nome do nosso corpo
ou esfera húmida de algum astro
ignoto, numa órbita apartada,
O tempo caladamente persegue
O sangue que se esvai sem som.
Entre o princípio e o fim vem corroer
as vísceras, que ocultamos como a Terra.
Trilam os lábios nossos, à semelhança
das musicais manhãs dos pássaros.
Mesmo os ouvidos cantam até à noite
ouvindo o amor de cada dia.
A pele escorre pelo corpo, como o seu correr
de água, e as lágrimas da angústia
são estridentes quando buscam o eco.
Mas não sentimos dentro do coração que somos
filhos dilectos do tempo e que, se hoje amamos,
foi depois de termos amado ontem.
O tempo é silencioso e enigmático
imerso no denso calor do ventre.
Guardado no silêncio mais espesso,
O tempo faz e desfaz a vida.
Fiama Hasse Pais Brandão,
in Cenas Vivas, Relógio d'Água
no interior do corpo. Porque ele passa
com um rumor de pedras que nos cobrem,
e pelo sonoro desalinho de algumas árvores
que são os nossos cabelos imaginários.
Até nas íris dos olhos o tempo
faz estalar faíscas de luz breve.
Só no interior sem nome do nosso corpo
ou esfera húmida de algum astro
ignoto, numa órbita apartada,
O tempo caladamente persegue
O sangue que se esvai sem som.
Entre o princípio e o fim vem corroer
as vísceras, que ocultamos como a Terra.
Trilam os lábios nossos, à semelhança
das musicais manhãs dos pássaros.
Mesmo os ouvidos cantam até à noite
ouvindo o amor de cada dia.
A pele escorre pelo corpo, como o seu correr
de água, e as lágrimas da angústia
são estridentes quando buscam o eco.
Mas não sentimos dentro do coração que somos
filhos dilectos do tempo e que, se hoje amamos,
foi depois de termos amado ontem.
O tempo é silencioso e enigmático
imerso no denso calor do ventre.
Guardado no silêncio mais espesso,
O tempo faz e desfaz a vida.
Fiama Hasse Pais Brandão,
in Cenas Vivas, Relógio d'Água
domingo, 2 de fevereiro de 2014
sábado, 1 de fevereiro de 2014
sábado, 25 de janeiro de 2014
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