terça-feira, 13 de setembro de 2011

Tu, coração

Tu, coração, não cantes menos
que a harmonia da terra,
nem chores mais
que as lágrimas dos rios.(1)
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(1) Em lágrimas e rios se define
a dialéctica da esperança
nas lágrimas que são o espanto e o frio
nos rios, a torrente que não cansa

De contrários se faz toda a harmonia
e nascem as crisálidas, nas casas,
entre o sonho e o preço da alegria
no desenho do voo antes das asas

Assim meus versos noutros explicados,
contradições, crisálidas, bolor,
me levassem à fonte donde corre,
a harmonia do canto libertado.

Carlos de Oliveira, in "Trabalho poético"

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Fé - sétima parte


Nós cristãos acreditamos que Deus é, em Jesus, a salvação do mundo. O nosso sim a Jesus, o Cristo (Ungido) de Deus, é o sim a toda a obra de Deus. Jesus Cristo é o sim a tudo o que Deus prometeu. «Nele todas as promessas de Deus se tornaram “sim” e é por isso que, graças a Ele, nós podemos dizer o “ámen” para glória de Deus» (2 Cor 1, 20). Jesus é o sim de Deus a nós, o seu ámen ao mundo. Jesus Cristo é o Ámen e a Testemunha fiel (Ap 3,14), que suscita em nós o ámen da fé. Dizemos sim ao ámen de Deus dizendo sim a Jesus. Ser cristão significa ser um homem crente, no seguimento de Jesus. A existência cristã define-se pela fé e só pela fé.

domingo, 11 de setembro de 2011

Encontro inter-religioso

11 de Setembro e Assis no encontro inter-religioso de Munique 11

A Comunidade de Santo Egídio promove deste domingo até terça-feira um encontro religioso ao mais alto nível para evocar o décimo aniversário do 11 de Setembro e os 25 anos da Jornada de Oração pela Paz de Assis. A iniciativa tem lugar em Munique, na Alemanha.
Líderes políticos e religiosos e personalidades do mundo dos media e da academia de mais de 60 países participarão em momentos de oração e num programa intenso de debates que se estendem, por vezes em sessões paralelas, até ao fim do dia 13.
Delegações católicas, das confissões protestantes, das igrejas ortodoxa e orientais, do judaísmo e do islão, do budismo japonês, cingalês e cambojano; das antigas religiões índias, como o jainismo e o parsismo; das religiões tradicionaiss, como o xintoísmo.

sábado, 10 de setembro de 2011

Fé - sexta parte


A fé é entrega: quando nos damos conta de que vence o que perde e nos entregamos perdidamente a Ele, quando deixamos que a vida fique marcada para sempre por um encontro, então a fé converte-se em abandono, esquecimento de si e gozo pela entrega nos braços do amado. A fé é confiar cegamente no Outro. «Seduziste-me, Senhor, e eu me deixei seduzir! Tu me dominaste e venceste… A mim mesmo dizia: “Não pensarei nele mais! Não falarei mais em seu nome!” Mas, no meu coração, a sua palavra era um fogo devorador, encerrado nos meus ossos. Esforçava-me por contê-lo, mas não podia.» (Jr 20, 7.9).

Crer significa dizer ámen a Deus. Só n’Ele o homem encontra protecção e segurança. Só Ele constitui o fundamento infalível para a vida do indivíduo e da humanidade: «Se não crerdes não vos mantereis firmes» (Is 7, 9).

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Fé - quinta parte


A fé é adesão ao Deus vivo, não é um salto no vazio. No evangelho aparece como o acto de caminhar sobre as águas pela mão de Cristo, o Senhor que nos concede o Espírito para acedermos ao Pai. O homem que nada pode, abre-se à acção de Deus e experimenta a salvação: «A tua fé te salvou» (Mc 10, 52). A fé constitui a redenção e a certeza do homem.

A fé é acolhimento, é aceitar a visita de Deus que nos precede. É iniciativa de Deus que nos interpela: «Shemá Israel!» (Escuta Israel!) (Dt 6, 4). Ele estabelece com cada homem uma relação dialogal, no meio da dúvida e da incerteza. Foi assim a experiência de Jacob no vau de Jaboc (cf. Gn 32, 23-33). Mas o encontro com Deus é violento, porque provoca e desinstala. Ele escapa às nossas certezas e não se deixa domesticar pelas nossas pretensões. Por isso a fé escandaliza. Se o encontro com Ele é uma tranquila repetição de gestos sempre iguais, sem amor e sem dor, então Deus já não é o Deus vivo, mas o Deus morto.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Dias diferentes


"Podemos achar que tudo que a vida nos oferece amanhã é repetir o que fizemos ontem e hoje. Mas, se prestarmos atenção, vamos reparar que nenhum dia é igual ao outro.
Cada manhã traz uma bênção escondida; uma bênção que só serve para este dia, e que não pode ser guardada ou reaproveitada. Se não usarmos este milagre hoje, ele se perderá.
Este milagre está nos detalhes do quotidiano; é preciso viver cada minuto, porque ali encontramos a saída para as nossas confusões, a alegria de nossos bons momentos, a pista certa para a decisão que precisa ser tomada.
Não podemos deixar nunca que cada dia pareça igual ao anterior – porque todos os dias são diferentes."Paulo Coelho

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Fé - quarta parte


A fé é uma decisão e não uma conclusão lógica. Trata-se de um comportamento e não de uma constatação; não é conhecimento de factos, mas de pessoas; de uma atitude diante de alguém. Este alguém não é uma «coisa» fixada uma vez por todas; a pessoa é uma realização vivente.

A fé é acontecimento – a fé tem um começo. Não é fidelidade a uma continuidade social, ou reminiscências de uma origem divina já esquecida. Implica uma absoluta novidade em cada destino individual. Mas este começo não é uma irrupção abrupta, foi precedido de diversas maneiras e culminará na reinterpretação, de modo radical, da própria vida. Implica correr o risco e optar pela adesão à novidade e descobrir que foi encontrado por Alguém…

sábado, 3 de setembro de 2011

Fé - terceira parte


Iluminação da Fé

O Senhor disse a Abrão: «Deixa a tua terra, a tua família e a casa de teu pai, e vai para terra que Eu te indicar. Farei de ti um grande povo, abençoar-te-ei, engrandecerei o teu nome e serás uma fonte de bênçãos. Abençoarei aqueles que te abençoarem, e amaldiçoarei aqueles que te amaldiçoarem. E todas as famílias da terra serão em ti abençoadas». Abrão partiu, como o Senhor lhe dissera (…) tinha setenta e cinco anos. (Gn 12, 1-4)

A maioria dos cristãos concebem a fé como assentimento intelectual a determinados dogmas, mas, como veremos, isso é começar a casa pelo telhado

Os israelitas, quando interrogados acerca da sua fé, não respondiam com uma série de enunciados sobre Deus, o mundo e os homens; a sua resposta consistia antes em relatar a sua história e confessar como, nela, tinham experimentado a presença de Deus:

Meu pai era um arameu errante (…) os egípcios maltrataram-nos, oprimindo-nos e impondo-nos dura escravidão (…) e o Senhor ouviu o nosso clamor (…) e tirou-nos do Egipto com mão forte (…) e deu-nos esta terra, terra onde corre leite e mel…» (Dt 26, 5-9)

A fé encontra o seu lugar na experiência humana e refere-se a uma relação interpessoal, de um eu a um tu. Trata-se de um acto original do homem, que dá sentido à existência e a toda a realidade.