sábado, 7 de setembro de 2013

O que devia ter pedido antes...


O homem santo reuniu os seus amigos: “Estou velho”, disse ele.
“E sábio”, respondeu um dos amigos. “Sempre te vimos rezando durante todo este tempo. O que conversas com Deus?”
“No começo, eu tinha o entusiasmo da juventude: pedia a Deus que me desse forças para mudar a humanidade. Aos poucos, percebi que isto era impossível, então passei a pedir a Deus que me desse forças, mas para mudar quem estivesse à minha volta”.
“Agora já estou velho, e a minha oração é muito mais simples. Peço a Deus o que devia ter pedido desde o começo”.
“O que pedes?”, insistiu o amigo.
“Peço para que consiga mudar a mim mesmo”. Paulo Coelho

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

À medida do oceano


Conheço barcos que ficam no porto
com medo de que as correntes os arrastem violentamente.
Conheço barcos que enferrujam no porto
para não arriscarem nunca uma vela ao largo.
 
Conheço barcos que se esquecem de zarpar.
Têm medo do mar por estarem a envelhecer;
E as vagas nunca os separaram.
A sua viagem terminou antes de começar.
 
Conheço barcos tão amarrados
que desaprenderam de se olhar.
Conheço barcos que ficam a marulhar
para estarem realmente seguros de jamais se deixar.
 
Conheço barcos que vão, aos pares,
afrontar o temporal quando o furacão está sobre eles.
Conheço barcos que se arranham um pouco
nas rotas oceânicas aonde os levam os seus manejos.
 
Conheço barcos que regressam ao porto,
todos amassados, mas mais dignos e mais fortes.
Conheço barcos estranhamente iguais
quando partilharam anos e anos de sol.
 
Conheço barcos que transbordam de amor
quando navegaram até ao seu último dia,
sem nunca recolher suas asas de gigantes,
porque têm o coração à medida do oceano.

                                                                           Marie-Annick Rétif

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Arte de viver


"Para a arte de viver, é preciso saber a arte de ouvir, sorrir e ter paciência... sempre."
Hermann Hesse

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Procissão II

                         

 

Procissão S. Bartolomeu


 

 
Presidiu à Procissão o Bispo Diocesano, D. José Manuel Garcia Cordeiro e participou também, o Bispo Emérito, D. António Montes Moreira.
 

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Viagem

"Aparelhei o barco da ilusão

E reforcei a fé de marinheiro.
Era longe o meu sonho, e traiçoeiro
O mar...
(Só nos é concedida
Esta vida
Que temos;
E é nela que é preciso
Procurar
O velho paraíso
Que perdemos).
Prestes, larguei a vela
E disse adeus ao cais, à paz tolhida.
Desmedida,
A revolta imensidão
Transforma dia a dia a embarcação
Numa errante e alada sepultura...
Mas corto as ondas sem desanimar.
Em qualquer aventura,
O que importa é partir, não é chegar."

Viagem, Miguel Torga

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Tornar úteis os dias úteis



Às vezes, demasiadas vezes,
a vida assemelha-se a uma repartição cinzenta,
onde os horários se cumprem sem empenho.
Estamos, mas fazemos sem compromisso íntimo.
Falamos e fazemos,
mas sentindo o nosso interesse noutro lado.
Vivemos, claro, mas com o coração distante.
 
Como é necessário tornar realmente úteis
os dias úteis!
 
Úteis não apenas por imposição do calendário.
Úteis, porque vividos com generosidade e sentido.
Úteis, porque não os atropelamos
na voragem das solicitações,
na dispersão das coisas,
mas sabemos (ou melhor, ousamos) fazer deles
lugar de criação e descoberta,
tempo de labor e de escuta,
modo de acção e de contemplação.
É preciso acolher o “inútil”
se quisermos chegar ao verdadeiramente útil.
P. José Tolentino Mendonça

sábado, 17 de agosto de 2013

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Em Ti ....

Afogo no teu ombro tudo o que não te digo
o pânico do sonho, o resplendor do risco.
 
 
É de ti que me escondo... em ti é que me firmo…
David Mourão-Ferreira

domingo, 4 de agosto de 2013

Alfaiates da vida



Nós somos os alfaiates da vida. Deus nos deu um bom tecido, e todo o material de costura.
Quando criança, nossos pais costuram por nós. Nem sempre gostamos, mas – de qualquer forma – fazem com amor.
Chega um momento, porém, que cabe a nós pegar na agulha e na linha de nossas vidas. Mas não temos disposição; então vamos à loja de departamentos da Sociedade, e usamos o que podemos comprar.
Mesmo que não nos agrade, é o que tem.
Às vezes, para adaptar o prêt-à-porter de nossa existência ao nosso gosto pessoal, colocamos remendos – e fica pior.
Um dia, paramos e pensamos: “quando criança, meus pais me vestiam. Quando adulto, a sociedade me veste. Quando terei liberdade de criar minha própria roupa espiritual? ”
Então vemos a agulha, a linha, e o tecido que Deus colocou para nós.
                                                                                                                           Paulo Coelho

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Seguir adiante...

 
Para tanta gente que vive o drama da perda de um ente querido,  e para as quais não temos muitas palavras...
 
"Nos dias de desespero logo após a morte da filha, a escri­tora Isabel Allende recebeu a visita da mãe.  Ela trazia um pacote de cartas que Isabel havia lhe escrito. E disse:
“Esta dor é um túnel pelo qual tens que caminhar até chegar ao outro lado. Não há nenhuma maneira de evitar tal sofrimento; não há comprimidos, terapia, ou descanso. Precisas seguir adiante, até cruzar o túnel. Precisas viver cada etapa desta dor, e assimilá-la. Ela não irá partir nunca, vai ser parte de tua natureza daqui por diante – e é necessário aceitar isto”.
A mãe estendeu as cartas. Pouco a pouco, Isabel Allende foi revivendo todo o seu calvário com a doença da filha, entendendo seu próprio amor e suas limitações. No final, cruzou o túnel e aceitou a perda".  Paulo Coelho

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Gato com rabo de fora


Vale a pena refletir nesta pequena história. Talvez nos esclareça algumas dúvidas....
Imaginem que um casal chega a um hotel da vossa terra e pergunta quanto custa um quarto para o fim-de-semana.
O rececionista responde: 100 euros pelos 2 dias.
Muito bem. Responde o cavalheiro. Mas gostaríamos de conhecer as vossas instalações antes de reservarmos. O quarto, a piscina, o restaurante...
- Não há problema, responde o rececionista. Os Srs. deixam uma caução de 100 euros, levam a chave e podem visitar as nossas instalações à vontade.
Se não gostarem nós devolvemos o dinheiro.
- Combinado, disse o casal.
Deixaram os 100 euros e foram visitar o hotel.

Acontece que:
O rececionista devia 100 euros à mercearia do lado e foi a correr pagar a dívida.
O merceeiro devia 100 euros na sapataria e foi a correr pagar a dívida.
O sapateiro devia 100 euros no talho e foi a correr pagar a dívida.
O talhante devia 100 euros à agência de viagens e foi a correr pagar a dívida.
O dono da agência devia 100 euros ao hotel e foi a correr pagar a dívida…

Nisto o casal completou a visita e informou que afinal não vai ficar no hotel.
- Não há problema. Tal como lhe disse, aqui tem o seu dinheiro, devolveu o rececionista.

Conclusão:
Toda a gente pagou a quem devia... sem dinheiro nenhum.
O casal levou os 100 euros que pagaram todas as 5 dívidas no valor total de 500 euros.
Ponham aqui os olhos e percebam que todo o sistema financeiro pode ser uma fraude.
Zero euros pagaram 500 em dívida.
E podíamos continuar indefinidamente.

Como disse Milton Friedman:
"Não perguntem onde está o dinheiro porque ele não está em lado nenhum!"
Pe. Carlos Azevedo

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Tentar

 
«Um casal de 30 anos pergunta a um outro de 80 casados há mais de 50 como permaneceram juntos tanto tempo. Ao que eles responderam: " Sabe? É q nós somos do tempo em que nada se deitava fora. Apenas se concertava"».(anónimo)
 
Ao terminar esta Jornada Mundial da Juventude, vários desafios ficaram no ar. O Papa pediu para se lutar contra o descartável - não serve deita fora - claro está, referindo-se às pessoas. Se conseguíssemos "concertar" as relações entre os que nos estão mais próximos... podíamos tentar !!!


sábado, 27 de julho de 2013

Como fugir à banalidade e rotina

 
Como posso fugir à banalidade e rotina do meu quotidiano?
 
Na minha opinião, existem duas formas de fugir à banalidade e à rotina do quotidiano.
 
A primeira consiste em conservar uma certa distância, também em termos espaciais, da área do quotidiano. Posso recolher-me frequentemente no silêncio. Posso retirar-me para o lugar onde costumo meditar e fazê-lo em silêncio...
 
A segunda forma consiste, para mim, em aceitar a banalidade e a rotina do meu quotidiano, e em descobrir qualquer coisa especial precisamente naquilo que parece normal...
 
E, de repente, o vazio transforma-se em plenitude, o banal em sagrado e a rotina desabrocha para as surpresas divinas, nas quais o carácter disponível do amor divino penetra na vivência dos meus dias.
 
 
Anselm Grün
In O livro das respostas de Anselm Grün, ed. Paulinas

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Esta menina...


Esta menina
tão pequenina

quer ser bailarina.
Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.
Não conhece nem mi nem fá
Mas inclina o corpo para cá e para lá
Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri.
Roda, roda, roda, com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.
Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.
Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças.
Cecília Meireles,
in Flor de Poemas, Colecção Poiesis,
Editora Nova Fronteira – Rio de Janeiro

terça-feira, 23 de julho de 2013

Respeito

 
No meu caminho para São Paulo, parei em Aparecida do Norte. A igreja estava quase deserta, exceto por algumas pessoas que conversavam perto do altar-mor. Reconheci no grupo uma velha amiga, Mirna Gritzch, e me aproximei.
Eis o que vi: um lama tibetano com seus fiéis, entre os quais minha amiga, conversava com um padre católico. O monge não falava português, o padre não falava inglês. O monge contava as manifestações da Grande Mãe, o padre falava das aparições marianas. O monge vestia-se de verde e azul, o padre usava paramentos brancos. O monge tinha contas de rezar na mão, o padre segurava um terço. E, apesar das aparentes diferenças, os dois estavam unidos na fé em Deus e no amor ao próximo.
No final, rezamos todos diante da imagem de N.S. Aparecida. O monge cantou mantras, os católicos rezaram ao som daquelas melodias. E o respeito entre os homens se mostrou possível.
                                                                                   Paulo Coelho

terça-feira, 16 de julho de 2013

Aprender a viver

 
Deus põe-se a viver à maneira humana para que o ser humano aprenda a viver de maneira divina. Deus põe-se ao nível do ser humano para que o ser humano possa pôr-se ao nível de Deus.
Tertuliano

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Jornada Mundial da Juventude



Esperança do amanhecer
"...Atendendo ao Teu chamado:
«Vão e façam, entre as nações,
um povo novo, em unidade,
para mim seus corações!»
Anunciar Teu Evangelho
a toda gente é transformar
o velho homem em novo homem
em mundo novo que vai chegar.
Cristo nos convida:
«Venham, meus amigos!»
Cristo nos envia:
«Sejam missionários!»"

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Acredita em ti mesmo

O homem converte-se aos poucos naquilo que acredita poder vir a ser. Se me repetir incessantemente a mim mesmo que sou incapaz de fazer determinada coisa, é possível que isso acabe finalmente por se tornar verdade. Pelo contrário, se acreditar que a posso fazer, acabarei garantidamente por adquirir a capacidade para a fazer, ainda que não a tenha num primeiro momento.

Mohandas Gandhi, in 'The Words of Gandhi'

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Ousadia e coragem

 
 
Papa Francisco, depois de jogar uma coroa de crisântemos no mar, em Lampedusa, celebrando a memória dos imigrantes mortos na travessia do Mediterrâneo, saúda um grupo de jovens africanos que estão alojados na ilha italiana. Um jovem proveniente da Líbia narrou a epopeia da travessia e o Papa, consternado, ouviu.
 
Palavras do Papa na missa em Lampedusa:
 
"Peçamos ao Senhor a graça de chorar sobre a nossa indiferença, sobre a crueldade que há no mundo, em nós, também naqueles que no anonimato tomam decisões socioeconômicas que abrem a estrada para dramas como este".
 

terça-feira, 9 de julho de 2013

Eu acredito...

 
O músico Bono Vox, da banda irlandesa U2, parafraseou o autor inglês C.S. Lewis, durante uma entrevista, ao dizer que Jesus Cristo ou era Filho de Deus, ou era louco.
“Quando as pessoas dizem que ele era um bom mestre, um profeta ou um tipo muito porreiro… Não era assim que Jesus se descrevia. Por isso temos de enfrentar este desafio. Ou Jesus era quem dizia que era, ou então era completamente louco”.
Confrontado com estas duas hipóteses, o vocalista, um dos mais populares do planeta, não hesita: “Eu acredito que Jesus era filho de Deus. Compreendo que para algumas pessoas isso possa parecer ridículo, e temos de respeitar muito essas pessoas”, insistiu.
As declarações foram feitas durante uma entrevista, nos Estados Unidos, com o director-geral da organização Focus on the Family, uma organização cristã. A entrevista será transmitida num programa de rádio da organização na terça-feira, dia 25, mas a Religion News Service adiantou alguns dos pormenores da conversa.

Salmos poderosos

Bono aproveitou para falar também da Bíblia em termos musicais. “David era músico, por isso é claro que gosto dele. O que os salmos têm de poderoso é que para além de serem ‘gospel’ e cânticos de adoração, são também ‘blues’. É muito importante os cristãos serem honestos com Deus. Normalmente Deus está muito mais interessado em quem nós somos do que em quem gostaríamos de ser”.
Quanto a Jesus, o artista recorre à passagem no capítulo 9º do Evangelho de Lucas, em que Jesus diz a um homem para não esperar para sepultar o seu pai, mas para O seguir imediatamente. “Parece-me uma atitude punk rock. Ele viu directamente o coração daquele homem. Percebeu que ele não o ia seguir, que era só fachada. Temos de ser mais extremos, não procurar tanto os sinais exteriores de rectidão. Ver as acções”.
Bono nasceu na Irlanda, filho de pai católico e mãe protestante. O cantor foi educado na Igreja da Irlanda, ramo da Igreja Anglicana. Todos os membros dos U2 são cristãos e a banda, no seu início era considerada do género da música cristã contemporânea. Apesar do seu enorme sucesso, sendo hoje uma das mais famosas e populares do mundo, os membros nunca perderam as suas referências cristãs e várias das suas músicas têm mensagens nesse sentido.
Fonte: RR

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Não julgues


Não julgues...
Habitas num recanto mínimo desta terra.
Os teus olhos chegam
Até onde alcançam muito pouco...
Ao pouco que ouves
Acrescentas a tua própria voz.
Mantém o bem e o mal, o branco e o negro,
Cuidadosamente separados.
Em vão traças uma linha
Para estabelecer um limite.

Se houver uma melodia escondida no teu interior,
Desperta-a quando percorreres o caminho.
Na canção não há argumento,
Nem o apelo do trabalho...
A quem lhe agradar responderá,
A quem lhe agradar não ficará impassível.
Que importa que uns homens sejam bons
E outros não o sejam?
São viajantes do mesmo caminho.
Não julgues,
Ah, o tempo voa
E toda a discussão é inútil.

Olha, as flores florescem à beira do bosque,
Trazendo uma mensagem do céu,
Porque é um amigo da terra;
Com as chuvas de Julho
A erva inunda a terra de verde,
e enche a sua taça até à borda.
Esquecendo a identidade,
Enche o teu coração de simples alegria.
Viajante,
Disperso ao longo do caminho,
O tesouro amontoa-se à medida que caminhas.
Rabindranath Tagore,
in Poesia, tradução de José Agostinho Baptista,
Assírio & Alvim (2004)

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Confesso

 
Confissão           
De um e outro lado do que sou,
da luz e da obscuridade,
do ouro e do pó,
ouço pedirem-me que escolha;
e deixe para trás a inquietação,
a dor,
um peso de não sei que ansiedade.

Mas levo comigo tudo
o que recuso. Sinto
colar-se-me às costas
um resto de noite;
e não sei voltar-me
para a frente, onde
amanhece.

Nuno Júdice, in "Meditação sobre Ruínas"


segunda-feira, 1 de julho de 2013

Verbo da Vida



O que existia desde o princípio,
o que nós ouvimos,
o que nós vimos com os nossos olhos,
o que nós contemplámos e as nossas mãos tocaram
acerca do Verbo da Vida,

- sim, porque a Vida manifestou-se;
nós vimo-la,
e é dela que damos testemunho
e anunciamo-vos a Vida eterna
que estava junto do Pai
e que se manifestou a nós -

o que nós vimos e ouvimos,
é isso que vos anunciamos,
para que também vós estejais em comunhão connosco.
E nós estamos em comunhão com o Pai
e com seu Filho, Jesus Cristo.

Escrevemo-vos estas coisas para que a nossa alegria seja completa.
1ª carta de João, cap. 1, versículos 1-4

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Há noites

"Há noites que são feitas dos meus braços
E um silêncio comum às violetas.
E há sete luas que são sete traços
De sete noites que nunca foram feitas.
 
Há noites que levamos à cintura
Como um cinto de grandes borboletas.
E um risco a sangue na nossa carne escura.
Duma espada à bainha dum cometa.
 
Há noites que nos deixam para trás
Enrolados no nosso desencanto
E cisnes brancos que só são iguais
À mais longínqua onda do seu canto.
 
Há noites que nos levam para onde
O fantasma de nós fica mais perto;
E é sempre a nossa voz que nos responde 
E só o nosso nome estava certo.
 
Há noites que são lírios e são feras
E a nossa exatidão de rosa vil
Reconcilia no frio das esferas
Os astros que se olham de perfil."
Natália Correia, in "Dimensão Encontrada", 1957

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Tempo de vida

Para cada um, o tempo de vida
que lhe foi concedido é o breve instante
em que chega a ser aquilo que há-de ser (Karl Rhaner)

terça-feira, 25 de junho de 2013

O silêncio de Deus


Tu és o silêncio!
Do nada criaste vida,
tudo quanto existe
é demasiado belo,
provisoriamente belo
para sermos nós a sua origem!
Como viver intensamente tão breve tempo?
Como colorir este enorme vazio silencioso?
Tu és o silêncio!
Do nada criaste vida,
tudo quanto existe
é demasiado belo,
provisoriamente belo
para sermos nós a sua origem!
Como viver intensamente tão breve tempo?
Como colorir este enorme vazio silencioso?
Mark Rothko 1952