sexta-feira, 22 de junho de 2012

Devagar



Não: devagar. 
Devagar, porque não sei 
Onde quero ir. 
Há entre mim e os meus passos 
Uma divergência instintiva. 

Há entre quem sou e estou 
Uma diferença de verbo 
Que corresponde à realidade.
Devagar... 
Sim, devagar... 
Quero pensar no que quer dizer 
Este devagar... 

Talvez o mundo exterior tenha pressa demais. 
Talvez a alma vulgar queira chegar mais cedo. 
Talvez a impressão dos momentos seja muito próxima...
Talvez isso tudo... 
Mas o que me preocupa é esta palavra devagar... 
O que é que tem que ser devagar? 
Se calhar é o universo... 
A verdade manda Deus que se diga. 
Mas ouviu alguém isso a Deus?

Álvaro de Campos (30-12 1934) 
In Poesia, Assírio & Alvim, ed. Teresa Rita Lopes, 2002

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Animação


O Funil - Fafe 8

Da verdade do amor



Da verdade do amor se meditam 
relatos de viagens confissões 
e sempre excede a vida 
esse segredo que tanto desdém 
guarda de ser dito 

pouco importa em quantas derrotas 
te lançou 
as dores os naufrágios escondidos 
com eles aprendeste a navegação 
dos oceanos gelados 

não se deve explicar demasiado cedo 
atrás das coisas 
o seu brilho cresce 
sem rumor 


(José Tolentino Mendonça)


terça-feira, 19 de junho de 2012

Borboletas de Rebecca J. Coles








A artista Rebecca J. Coles num exercício de paciência e muito talento cria diversos quadros exibindo um amontoado de borboletas que juntas resultam num efeito decorativo e muito agradável aos olhos. Seus materiais são papel e tesoura.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Karting - Fafe 7

O Espelho de Gandhi


Perguntaram a Mahatma Gandhi quais são os fatores que destroem os seres humanos. Ele respondeu: A Política, sem princípios; o Prazer, sem compromisso; a Riqueza, sem trabalho; a Sabedoria, sem caráter; os Negócios, sem moral; a Ciência, sem humanidade; a Oração, sem caridade. 
A vida me ensinou que as pessoas são amigáveis, se eu sou amável; que as pessoas são tristes, se estou triste; que todos me querem, se eu os quero; que todos são ruins, se eu os odeio; que há rostos sorridentes, se eu lhes sorrio; que há faces amargas, se eu sou amargo; que o mundo está feliz, se eu estou feliz; que as pessoas ficam com raiva quando eu estou com raiva; que as pessoas são gratas, se eu sou grato. 
A vida é como um espelho: se você sorri para o espelho, ele sorri de volta. A atitude que eu tome perante a vida é a mesma que a vida vai tomar perante mim. 
"Quem quer ser amado, ame". 
O caminho para a felicidade não é reto. Existem curvas chamadas EQUÍVOCOS, existem semáforos chamados AMIGOS, existem luzes de cautela chamadas FAMÍLIA. E tudo se consegue se temos: um estepe chamado DECISÃO, um motor poderoso chamado AMOR, um bom seguro chamado FÉ, combustível abundante chamado PACIÊNCIA, mas acima de tudo um Motorista Habilidoso chamado DEUS!

sexta-feira, 8 de junho de 2012

terça-feira, 5 de junho de 2012

Acreditar na Igreja



Acreditar na Igreja como um artigo de fé isolado, e não como parte da nossa crença no Espírito Santo, seria cair na idolatria. Trata-se de uma tentação. Um dos meus confrades escoceses afirmou que a Igreja é verdadeiramente a sucessora de Israel, porque também ela andou sempre a prostituir-se com falsos ídolos! (…)
A crença na Trindade sem a Igreja leva à mitologia, e a crença na Igreja sem a Trindade, à idolatria. A amizade de Deus incita-nos a ir para além das duas.
Timothy Radcliffe, Ir à Igreja porquê?, p. 133

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Dia Mundial da Criança

Boca selada



O discípulo do rabino Nachman de Bratzlava procurou-o:
“Não consigo conversar com Deus”.
“Isto acontece com frequência”, comentou Nachman. “Sentimos que a boca está selada, ou que as palavras não aparecem. No entanto, o simples fato de fazer um esforço para superar situação, já é uma atitude benéfica”.
“Mas não é o suficiente”, insistiu o discípulo.
“Tem razão. Nestas horas, o que se deve fazer é virar-se para o alto e dizer: ‘Meu Deus, estou tão longe de Ti que não consigo nem acreditar na minha voz’”.
“Porque, na verdade, Deus escuta e responde sempre. Somos nós que não conseguimos falar, com medo que Ele não preste atenção”. 
                                                          Paulo Coelho