terça-feira, 23 de agosto de 2011

Mudemos o curso da vida



Morre lentamente
quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajectos,
quem não muda de marca
Não se arrisca a vestir uma nova cor
ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente
quem faz da televisão o seu guru.

Morre lentamente
quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco
e os pontos sobre os "is" em detrimento de um
redemoinho de emoções,
justamente os que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente
quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente
quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
ou da chuva incessante.

Morre lentamente,
quem abandona um projecto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
que o simples fato de respirar.
Somente a perseverança fará com que conquistemos
um estágio esplêndido de felicidade.
Pablo Neruda

sábado, 20 de agosto de 2011

A hora da partida


A Hora da Partida

A hora da partida soa quando
Escurecem o jardim e o vento passa,
Estala o chão e as portas batem, quando
A noite cada nó em si deslaça.
A hora da partida soa quando
As árvores parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinasse.

Soa quando no fundo dos espelhos
Me é estranha e longínqua a minha face
E de mim se desprende a minha vida.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Enviada por Anita "Transmontana" Obrigada

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Poesia


As Fontes

Um dia quebrarei todas as pontes
Que ligam o meu ser, vivo e total,
À agitação do mundo do irreal,
E calma subirei até às fontes.

Irei até às fontes onde mora
A plenitude, o límpido esplendor
Que me foi prometido em cada hora,
E na face incompleta do amor.

Irei beber a luz e o amanhecer,
Irei beber a voz dessa promessa
Que às vezes como um voo me atravessa,
E nela cumprirei todo o meu ser.

Sophia de Mello Breyner Andresen, in Poesia I, 1944

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Assunção de Nossa Senhora


«A minha alma glorifica o Senhor
e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador,
porque pôs os olhos na humildade da sua serva:
de hoje em diante me chamarão bem-aventurada
todas as gerações.
O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas:
Santo é o seu nome."... Lc 1, 39-56



sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Subamos ao Monte

Aproxima-se a grande festa. Todos os caminhos vão dar ao Santuário. Procuremos vestir o traje de peregrino e subamos ao Monte; deixe-mo-nos "transfigurar" pela paisagem e pela densidade do "Encontro", sim, do encontro connosco e com os outros, na abertura e no acolhimento deste Deus. Subamos ao Monte, não como turistas, mas como pessoas em busca de Deus.
Quem procura encontra...
e já agora, deixe-se encontrar por Deus, não fuja, não se esconda, mostre-se...

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Uma Casa


"Uma porta que sai do coração, que mora dentro o amor, uma outra que está a amizade, uma outra as boas virtudes, um corredor de esperança que guarnece o dia que resguarda a noite...
Uma janela para o céu, para as estrelas para o infinito e neles um sorriso teu.
Uma casa de anjos de querubins de coisa alguma que não seja o sentimento do mais puro, do mais sentido....
Um lugar de grandes alegrias, de sonhos e fantasias, uma casa que resida a paz, a vida e a harmonia.
Um lugar de riquezas de belezas, de certezas, de reis e rainhas de príncipes e princesas aonde ninguém é mais que ninguém todos são luzes multicores e nelas um gesto de amor envolto em todo os seus residentes.
Uma casa do tamanho meu, do tamanho seu, aonde a mais linda é a verdadeira forma de ser, de compreender que o amor é a vida e nela todas as casas todas as portas e janelas que nos levam à amizade.
Adenilson Rodrigues da Silva

Enviada por Anita. Obrigada

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A casa de Deus



Desenho de Arpad Szenes.

A casa de Deus está assente no chão
Os seus alicerces mergulham na terra
A casa de Deus está na terra onde os homens estão
Sujeita como os homens à lei da gravidade
Porém como a alma dos homens trespassada
Pelo mistério e a palavra da leveza

Os homens a constroem com materiais
Que vão buscar à terra
Pedra vidro metal cimento cal
Com suas mãos e pensamento a constroem
Mãos certeiras de pedreiro
Mãos hábeis de carpinteiro
Mão exacta do pintor
Cálculo do engenheiro
Desenho e cálculo do arquitecto
Com matéria e luz e espaço a constroem
Com atenção e engenho e esforço e paixão a constroem

Esta casa é feita de matéria para habitação do espírito
Como o corpo do homem é feito de matéria e manifesta o espírito

A casa é construída no tempo
Mas aqui os homens se reúnem em nome do Eterno
Em nome da promessa antiquíssima feita por Deus a Abraão
A Moisés a David e a todos os profetas
Em nome da vida que dada por nós nos é dada

É uma casa que se situa na imanência
Atenta à beleza e à diversidade da imanência
Erguida no mundo que nos foi dado
Para nossa habitação nossas invenção nosso conhecimento
Os homens constroem na terra

Situada no tempo
Para habitação da eternidade

Aqui procuramos pensar reconhecer
Sem máscara ilusão ou disfarce
E procuramos manter nosso espírito atento
Liso como a página em branco

Aqui para além da morte da lacuna da perca e do desastre
Celebramos a Páscoa

Aqui celebramos a claridade
Porque Deus nos criou para a alegria
Sophia de Mello Breyner Andresen
(in Igreja de Santa Maria,
Marco de Canaveses; poema
oferecido por Sophia à igreja;
in «Correntes D'Escritas», nº.
2, Fevereiro, 2003)




sábado, 6 de agosto de 2011

O que plantamos colhemos


"O pessimismo contagia.
O derrotismo contagia.
A desesperança contagia.

As pessoas que tem sensibilidade suficiente para enxergar auras (vibrações energéticas que envolvem os seres vivos), percebem que – antes da doença física penetrar no corpo, parte da energia vital é drenada pelo cérebro aflito e preocupado. Tudo aquilo que colocarmos no dia de hoje, nos será devolvido de alguma maneira – num ciclo muito semelhante aquele que vemos na natureza.

“O que plantamos, colhemos”, diziam nossas avós. Elas nunca escutaram palavras como ecologia. Mas nesta simples frase – “o que plantamos, colhemos” – está parte da sabedoria que o Universo nos ensina.

Cada momento de nossa realidade é diretamente influenciado pela nossa maneira de achar como uma “realidade” deve ser." Paulo Coelho

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Poema


Fernando Pessoa

"Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é
A dor que já não me dói
A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia."

Enviada por Anita - Transmontana - Obrigada

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Pensamento


"Um filósofo deve pensar somente após certificar-se de que está com os pés fincados na terra. Bem plantados na terra!" (Armindo Trevisan)

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Pensamento


"Nosso futuro depende, em grande medida, de nossa capacidade de combinar a defesa da pluralidade das culturas com o universalismo dos direitos fundamentais: políticos, sociais e culturais" (Alain Touraine).
Enviada por Anita - Transmontana. Obrigada

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Pensamento

"O homem é uma travessia do enigma ao mistério" (Bruno Tolentino).
Enviada por Anita a Transmontana. Obrigada

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Ai de ti


Ai de ti

Falas de civilização, e de não dever ser,
Ou de não dever ser assim.
Dizes que todos sofrem, ou a maioria de todos,
Com as coisas humanas postas desta maneira,
Dizes que se fossem diferentes, sofreriam menos.
Dizes que se fossem como tu queres, seriam melhor.
Escuto sem te ouvir.
Para que te quereria eu ouvir?
Ouvindo-te nada ficaria sabendo.
Se as coisas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.
Se as coisas fossem como tu queres, seriam só como tu queres.
Ai de ti e de todos que levam a vida
A querer inventar a máquina de fazer felicidade!

Alberto Caeiro

sábado, 30 de julho de 2011

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Histórias

“Um cavalo galopando sobre a lua,
enquanto os céus se tolhem e recolhem,
se espraiam e se afundam.
Uma coroa de chamas para o poeta.”

Que palavras eram aquelas e quem as teria posto no meu bolso? Olhei em volta, tentando ver alguém que pudesse ter tido a ousadia. Já a noite ia avançada, não havia ninguém na rua. A hipótese mais provável, pensei, era ter sido alguém no bar onde estivera. Mas quem?
A caligrafia era possivelmente feminina, mas longe de mim considerar-me um macho sedutor. Não havia nome ou número de telefone que o pudesse sugerir, para mais. Mas teria sido aquela rapariga com quem estivera a falar durante um bom bocado? De que estivéramos a falar? Devo ter esboçado uma ou outra piada, certamente. Ou devo ter lançado alguma consideração sobre o ambiente e as pessoas que nos circundavam. Nada que fugisse ao meu estado normal, nada que eu notasse, pelo menos. Já só me lembrava apenas vagamente da cara dela. Com quem teria eu falado mais?
Uma coroa de chamas”, repeti. Foi então que soube que o poeta era eu.

José Maria Archer

sábado, 16 de julho de 2011

Mar sem fim

                                                                                                                                                                                                           Fotos Pessoais
De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.
        
Mar sonoro, mar sem fundo mar sem fim.
A tua beleza aumenta quando estamos sós.
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.

                                                                  Sophia de Mello Breyner Andresen         

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Nada me faltará


Maria José Nogueira Pinto, 1952-2011
Nada me Faltará
"(...)Nas fraquezas e limites da condição humana, tentei travar esse bom combate de que fala o apóstolo Paulo. E guardei a Fé.
Tem sido bom viver estes tempos felizes e difíceis, porque uma vida boa não é uma boa vida. (...)
Seja qual for o desfecho, como o Senhor é meu pastor, nada me faltará".
in
DN, 7-7-2011
[Crédito da foto: Pedro Cunha / Público]

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Só vou gostar de quem gosta de mim - Caetano Veloso

Morada de Deus

"O grande rabino Yitzhak Meir, quando ainda estudava as tradições de seu povo, escutou um de seus amigos dizer, em tom de brincadeira:
— Eu lhe dou uma moeda se você conseguir me dizer onde Deus mora.
— E eu lhe darei duas moedas, se você me disser onde Deus não mora – respondeu Meir." Paulo Coelho

segunda-feira, 11 de julho de 2011

"Boas Notícias da parte do nosso Deus".

Editado por Derrotar Montanhas, como resultado de um mini-curso bíblico orientado por Rui Santiago.
Vale a pena ver até ao fim.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Ai férias...

O vento sopra,as nuvens choram
A água borbulha
Alguém chama por mim
Este uivar da natureza é belo
O chamamento cai no esquecimento

Estou pávida e serena
O percurso do rio não mudara
Tudo estava igual
Apenas me esquecera do mundo real

Conclusão:vou chegar atrasada à escola
O pesadelo tornara-se sonho
O melhor é acordar
Afinal estou de férias!!!

Mafalda Moutinho

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Contemplação

Bem no cimo dos montes, a Cruz que nos eleva até às "alturas", sem perder o drama da dor, abre-nos ao amor e comunhão com Deus.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Breve


Bom, diz ele,
dia!, diz ela.

Vamos?, diz ele,
Não!, diz ela.

Que há?, diz ele,
Nada!, diz ela.

Então, diz ele,
adeus!, diz ela.


[ Alexandre O' Neill ]

Mais "breve" não podia ser. Quando repararmos que não saboreamos a riqueza do diálogo, da partilha, do enriquecimento mútuo... que pobrezinhos somos.



segunda-feira, 4 de julho de 2011

Construir ou plantar

"Cada pessoa, em sua existência, pode ter duas atitudes: construir ou plantar.
Os construtores podem demorar anos em suas tarefas, mas um dia terminam aquilo que estavam fazendo. Então param, e ficam limitados por suas próprias paredes. A vida perde sentido quando a construção acaba.
Os que plantam sofrem com as tempestades, as estações e raramente descansam. Mas, ao contrário de um edifício, o jardim jamais pára de crescer. E, ao mesmo tempo que exige a atenção do jardineiro, também permite que, para ele, a vida seja uma grande aventura." Paulo Coelho

sábado, 2 de julho de 2011

O vamor do sorriso 10

Apresenta-te com uma cara
alegre. É a tua exibição,
sua janela, o teu melhor
 DAVID BRANDT BERG

sexta-feira, 1 de julho de 2011

O vamor do sorriso 9

Ninguém precisa tanto
de um sorriso como
quem não tem um sorriso
                                     para oferecer.