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sábado, 10 de setembro de 2011

Fé - sexta parte


A fé é entrega: quando nos damos conta de que vence o que perde e nos entregamos perdidamente a Ele, quando deixamos que a vida fique marcada para sempre por um encontro, então a fé converte-se em abandono, esquecimento de si e gozo pela entrega nos braços do amado. A fé é confiar cegamente no Outro. «Seduziste-me, Senhor, e eu me deixei seduzir! Tu me dominaste e venceste… A mim mesmo dizia: “Não pensarei nele mais! Não falarei mais em seu nome!” Mas, no meu coração, a sua palavra era um fogo devorador, encerrado nos meus ossos. Esforçava-me por contê-lo, mas não podia.» (Jr 20, 7.9).

Crer significa dizer ámen a Deus. Só n’Ele o homem encontra protecção e segurança. Só Ele constitui o fundamento infalível para a vida do indivíduo e da humanidade: «Se não crerdes não vos mantereis firmes» (Is 7, 9).

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Fé - quinta parte


A fé é adesão ao Deus vivo, não é um salto no vazio. No evangelho aparece como o acto de caminhar sobre as águas pela mão de Cristo, o Senhor que nos concede o Espírito para acedermos ao Pai. O homem que nada pode, abre-se à acção de Deus e experimenta a salvação: «A tua fé te salvou» (Mc 10, 52). A fé constitui a redenção e a certeza do homem.

A fé é acolhimento, é aceitar a visita de Deus que nos precede. É iniciativa de Deus que nos interpela: «Shemá Israel!» (Escuta Israel!) (Dt 6, 4). Ele estabelece com cada homem uma relação dialogal, no meio da dúvida e da incerteza. Foi assim a experiência de Jacob no vau de Jaboc (cf. Gn 32, 23-33). Mas o encontro com Deus é violento, porque provoca e desinstala. Ele escapa às nossas certezas e não se deixa domesticar pelas nossas pretensões. Por isso a fé escandaliza. Se o encontro com Ele é uma tranquila repetição de gestos sempre iguais, sem amor e sem dor, então Deus já não é o Deus vivo, mas o Deus morto.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Fé - quarta parte


A fé é uma decisão e não uma conclusão lógica. Trata-se de um comportamento e não de uma constatação; não é conhecimento de factos, mas de pessoas; de uma atitude diante de alguém. Este alguém não é uma «coisa» fixada uma vez por todas; a pessoa é uma realização vivente.

A fé é acontecimento – a fé tem um começo. Não é fidelidade a uma continuidade social, ou reminiscências de uma origem divina já esquecida. Implica uma absoluta novidade em cada destino individual. Mas este começo não é uma irrupção abrupta, foi precedido de diversas maneiras e culminará na reinterpretação, de modo radical, da própria vida. Implica correr o risco e optar pela adesão à novidade e descobrir que foi encontrado por Alguém…

sábado, 3 de setembro de 2011

Fé - terceira parte


Iluminação da Fé

O Senhor disse a Abrão: «Deixa a tua terra, a tua família e a casa de teu pai, e vai para terra que Eu te indicar. Farei de ti um grande povo, abençoar-te-ei, engrandecerei o teu nome e serás uma fonte de bênçãos. Abençoarei aqueles que te abençoarem, e amaldiçoarei aqueles que te amaldiçoarem. E todas as famílias da terra serão em ti abençoadas». Abrão partiu, como o Senhor lhe dissera (…) tinha setenta e cinco anos. (Gn 12, 1-4)

A maioria dos cristãos concebem a fé como assentimento intelectual a determinados dogmas, mas, como veremos, isso é começar a casa pelo telhado

Os israelitas, quando interrogados acerca da sua fé, não respondiam com uma série de enunciados sobre Deus, o mundo e os homens; a sua resposta consistia antes em relatar a sua história e confessar como, nela, tinham experimentado a presença de Deus:

Meu pai era um arameu errante (…) os egípcios maltrataram-nos, oprimindo-nos e impondo-nos dura escravidão (…) e o Senhor ouviu o nosso clamor (…) e tirou-nos do Egipto com mão forte (…) e deu-nos esta terra, terra onde corre leite e mel…» (Dt 26, 5-9)

A fé encontra o seu lugar na experiência humana e refere-se a uma relação interpessoal, de um eu a um tu. Trata-se de um acto original do homem, que dá sentido à existência e a toda a realidade.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Fé - segunda parte


Qual é a fé dos nossos contemporâneos?

Pela fé acendem-se velas aos santos.

Pela fé fazem-se promessas, às vezes quase impossíveis de cumprir.

Pela fé repetem-se rotineiramente orações cujo sentido nunca se aprofundou: correntes que não podem quebrar-se, formulas que não podem errar-se, expressões que não se entendem bem mas que continuam a dizer-se.

Pela fé mantêm-se tradições completamente separadas do tempo presente ou da coerência de vida.

A fé, porém, aparece quase sempre como alguma coisa de distante da vida:

Que nada tem a ver com as responsabilidades económicas, políticas ou sociais, com a vida da empresa, com a participação cívica, com a solidariedade social.

Que está à margem da vida de família, da relação conjugal, ou da educação dos filhos…

Que é de tal forma íntima e pessoal que não se revela aos outros, não se deixa transparecer nos comportamentos humanos, nem se manifesta no lugar de trabalho ou no grupo de amigos, é coisa secreta.

Que se reserva para actos religiosos, as missas, os funerais, os casamentos ou baptizados, ou simplesmente para algumas festas…

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Fé - primeira parte

Perante tantos dilemas e dúvidas que tenho escutado, “O que é que a Fé traz à vida?”, aqui vai uma reflexão, que pode contribuir para esclarecer e fortalecer, “A fé como resposta ao projecto do Pai”

Experiência humana
«Se tens a ideia que é falso tudo o que pensavas sobre Deus, e que não há Deus, não te assustes por isso. Sucede assim com muitos. Se um selvagem deixa de acreditar no seu deus de madeira, não é porque não há Deus, mas porque o verdadeiro Deus não é de madeira» – Tolstoi
As estatísticas dizem-nos que 60 a 80% das pessoas afirmam ter fé, mas reduzem-na a uma simples confiança num Deus Todo-Poderoso que é o último apelo nas normais dificuldades do quotidiano. Para muitos a fé é completamente desnecessária, basta-nos a ciência, a técnica, a razão. Para alguns crentes a fé teórica consiste em acreditar nas verdades reveladas. Para um grande número a fé é apenas sentimento ou expressão poética.
( Durante vários dias aprofundaremos este tema, retirado da carta Pastoral que as famílias vão receber)